Professores da Escola Portuguesa de Luanda em greve exigem respeito e denunciam abandono do Governo português
A revolta tomou conta da Escola Portuguesa de Luanda (EPL). Professores em greve denunciam o que chamam de “abandono” por parte do Governo português, exigindo equidade salarial e melhores condições laborais. O silêncio das autoridades em Lisboa tem sido interpretado como um desrespeito à classe docente, que promete não recuar sem respostas concretas.

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À entrada da escola, cartazes com frases como “Sem professores não há educação” e “Equidade para todos os docentes da EPL” expõem a indignação de quem sente estar a ser tratado como profissional de segunda categoria. O coro de protesto é uníssono: “Mesmas funções, iguais condições!”
Sandra Feliciano, uma das professoras que aderiu à paralisação, não esconde a frustração: “Há anos que exigimos justiça. O Governo português sabe da nossa luta, mas ignora-nos. O tratamento desigual persiste e estamos fartos!”. Segundo a docente, as respostas que chegam de Portugal são vagas e sem compromisso.
Wilson Fernandes Rodrigues, outro professor grevista, reforça que a falta de equidade salarial afecta directamente o desempenho dos docentes. “Queremos apenas justiça. Não pedimos privilégios, apenas condições justas para trabalhar e ensinar com dignidade.”
A insatisfação também é partilhada por Ana Cristina de Assis, que critica os desequilíbrios salariais: “Fazemos o mesmo trabalho que os nossos colegas, mas somos pagos de forma diferente. Como se justifica isto?”. A docente alerta ainda para os impactos da greve na aprendizagem dos alunos, afirmando que muitos encarregados de educação estão preocupados com a situação.
A paralisação, convocada pelo Sindicato de Todos os Professores da Educação (S.TO.P), junta-se a um movimento mais amplo, que inclui docentes de outras escolas portuguesas no estrangeiro, como Timor, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Carla Matilde Plácido, também professora na EPL, destaca o sacrifício que esta greve representa: “Fizemos questão de não comprometer a fase de avaliação dos alunos, mas não podemos continuar a aceitar esta injustiça. Estamos obrigados a cruzar os braços porque nos ignoram.”
Com um custo de vida elevado e uma inflação galopante em Angola, muitos docentes sentem que estão a ser empurrados para uma situação insustentável. A incerteza política em Portugal, após a queda do Governo de Luís Montenegro, levanta dúvidas sobre o futuro das reivindicações. “Será que a mudança de Governo vai finalmente trazer respostas ou vamos continuar esquecidos?”, questiona Carla Plácido.
A insatisfação dos professores é clara: “Queremos respeito, queremos dignidade e não vamos parar até sermos ouvidos.” O silêncio do Governo português só faz aumentar a revolta e a determinação de quem luta por justiça.
C/VA
PONTUAL, fonte credível de informação.
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