Crise migratória agrava-se e África do Sul quer resposta conjunta do continente
A África do Sul defendeu a realização de um diálogo continental sobre migração, numa tentativa de travar o agravamento da crise provocada pela recente vaga de manifestações anti-imigração e ataques contra cidadãos estrangeiros. O tema deverá dominar a próxima cimeira da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), marcada para este mês, em Durban.

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O apelo foi reforçado pelo ministro das Relações Internacionais sul-africano, Ronald Lamola, que defendeu uma resposta conjunta dos países africanos para enfrentar as causas da imigração irregular. Segundo o governante, a discussão deve envolver não apenas os Estados da SADC, mas também toda a União Africana, abrangendo fenómenos migratórios que afectam diferentes regiões do continente, incluindo o Norte de África.
A tensão aumentou nas últimas semanas, depois de protestos que exigem a deportação de imigrantes em situação irregular e de relatos de ataques violentos contra cidadãos estrangeiros. Países como Moçambique, Maláui e Zimbabué já iniciaram operações de repatriamento dos seus nacionais, enquanto Angola anunciou que prepara o regresso voluntário dos cidadãos angolanos residentes na África do Sul que manifestem essa intenção, na sequência das agressões registadas contra comunidades estrangeiras.
Apesar da proposta sul-africana, a União Africana recusou, na semana passada, um pedido apresentado pelo Gana para incluir as tensões migratórias da África do Sul na agenda da próxima reunião de coordenação do bloco, prevista para Outubro. Entretanto, Moçambique continua a ser o país mais afectado pela crise, com mais de 1.360 cidadãos repatriados e vários mortos, enquanto Zimbabué, Gana, Nigéria, Uganda, Quénia e Maláui também retiraram centenas de nacionais.
Com uma população superior a 65 milhões de habitantes, a África do Sul acolhe cerca de 2,4 milhões de migrantes, maioritariamente provenientes de países vizinhos. Os episódios de xenofobia repetem-se desde o final da década de 1990, tendo os mais graves ocorrido em 2008, com mais de 60 mortos, e em 2019, quando pelo menos 18 estrangeiros perderam a vida.
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